DOMINGO (27.04)
Abertura dos portões: 20h
Helloween (Alemanha) - palco 1
Gamma Ray (Alemanha) - palco 1
Serviço: Abril Pro Rock 2008
Local: Chevrolet Hall (Olinda)
Dias 11 e 12 de abril
R$ 50 inteira, R$ 25 meia-entrada. Ingresso social: R$ 30 + 1kg de alimento não perecível
Camarotes para 10 pessoas: R$ 800 (primeira fila), R$ 600 (segunda fila) e R$ 500 (terceira fila)
Dia 27 de abril
R$ 80 inteira, R$ 40 meia-entrada. Ingresso social: R$ 50 + 1kg de alimento não perecível
Camarotes para 10 pessoas: R$ 1500 (primeira fila), R$ 1000 (segunda fila) e R$ 800 (terceira fila)
* As primeiras 2 mil pessoas que comprarem ingressos para 2 ou 3 dias, juntos, ganham um CD promocional do Abril Pro Rock
* Censura: 14 anos. Menores, de 14 a 18 anos, devem estar acompanhados de parentes de até 3o grau, maiores de 18 anos.
CICLO DE PALESTRAS DO ABRIL PRO ROCK 2008
Local: Livraria Cultura (Paço da Alfândega, Recife)
Grátis!
QUINTA-FEIRA (10.04)
14h às 15h Produção executiva e artística de bandas.
Fabrício Nobre (Monstro Monstro) e Iuri Freiberger (produtor musical)
15h30 às 16h30 Turnês pelo Nordeste.
Anderson Foca (Centro Cultural DoSol Rockbar) e Rafael Bandeira (HeyHo Rockbar)
17h às 18h Festivais de música independente.
Gustavo Sá (Porão do Rock, Brasília) e Marcelo Domingues (Festival Demo Sul, Londrina)
SEXTA-FEIRA (11.04)
14h às 15h Distribuição e circulação de bandas na Internet.
Luiz Pimentel (MySpace Brasil) e Fernanda Cardoso (TramaVirtual)
15h30 às 16h30 Mídia independente. Blogs e sites ocupando espaço da imprensa tradicional.
Paulo Terron (With Lasers / Rolling Stone) e Bruno Maia (Sobremusica / Rolling Stone)
17h às 18h Sistemas de Cooperativa.
Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo, Cuiabá) e Claudão Pilha (A Obra, Belo Horizonte)
PROGRAMAÇÃO DE SHOWS DO ABRIL PRO ROCK 2008
Local: Chevrolet Hall (Olinda)
Dias 11 e 12 de abril
R$ 50 inteira, R$ 25 meia-entrada. Ingresso social: R$ 30 + 1kg de alimento não perecível
Camarotes para 10 pessoas: R$ 800 (primeira fila), R$ 600 (segunda fila) e R$ 500 (terceira fila)
Dia 27 de abril
R$ 80 inteira, R$ 40 meia-entrada. Ingresso social: R$ 50 + 1kg de alimento não perecível
Camarotes para 10 pessoas: R$ 1500 (primeira fila), R$ 1000 (segunda fila) e R$ 800 (terceira fila)
* As primeiras 2 mil pessoas que comprarem ingressos para 2 ou 3 dias, juntos, ganham um CD promocional do Abril Pro Rock
* Censura: 14 anos. Menores, de 14 a 18 anos, devem estar acompanhados de parentes de até 3o grau, maiores de 18 anos.
SEXTA-FEIRA (11.04)
Abertura dos portões: 20h
The New York Dolls (EUA)
Vamoz (PE)
Bad Brains (EUA)
Zumbis do Espaço (SP)
Mukeka di Rato (ES)
The Sinks (RN)
Project 666 (PE)
AMP (PE)
» ABRIL PRO ROCK A angústia de ser “alternativo”
Publicado em 02.04.2008
Schneider Carpeggiani
Houve um tempo em que a distinção do Abril Pro Rock era a de ser um festival. Nessa mesma época (os anos 90), encontrar qualquer sombra alternativa era o desejo da maioria dos artistas/eventos, como se alternativo fosse amuleto, e não uma forma de reagir com o universo ao redor. Mas com o esfacelamento das gravadoras e a massificação que a internet trouxe junto, ser alternativo deixou de ser o mais difícil.
Uma das principais atrações do Abril Pro Rock deste ano, Lobão, um dia foi o paradigma de alternativo no Brasil – quando era complicado ser um! O cantor quebrou o pau com gravadoras, foi o primeiro a vender discos em banca de revista e seguiu quebrando padrões de forma estridente – ao contrário do padrão “político” do artistas pop brasileiro médio. Atualmente, no entanto, anda difícil quebrar padrões. Por que? “Hoje em dia, todo mundo é alternativo”, ironizou o cantor em conversa com o Jornal do Commercio.
A “banalização” do alternativo fez o cantor tomar uma decisão polêmica. Depois de anos criticando com veemência o Acústico MTV, o cantor gravou um. Mas gravou na decadência do formato, longe das garantias de vendas de antes. A adesão consciente a um projeto em declínio – nada mais alternativo.
“Esse acústico pra MTV me trouxe muitas alegrias. O disco recebeu o Grammy de melhor álbum de rock, concorrendo com a barbada do ano que era o dos Os Mutantes. E o DVD também foi escolhido como a melhor produção de 2007. Nada mal para um fiasco, né?”, ironizou (ainda mais) Lobão durante a conversa.
Mas em tempos em que o rock não vive mais o período de polarização (como aconteceu nos anos 90), como é que o cantor enxerga o mercado fonográfico pós-acústico de 2008? “Nosso segmento de rock está praticamente extinto no mainstream. Hoje em dia não há mais essa diferença gritante de você estar sem ou com uma gravadora. Só se o grupo for de segmentos como axé ou pagode. As rádios rock acabaram e a cultura de rock, que já era precária, agora foi pro saco geral. Não vejo possibilidade de, atualmente, uma gravadora trabalhar com êxito uma banda de rock, ou coisa parecida… É uma linguagem que escapuliu do nosso dia a dia”.
Da última vez que esteve no Recife, em dezembro passado, Lobão se irritou com a infra-estrutura do UK Pub e fez questão (como é do seu costume) de deixar isso claro para o público presente. O erro da casa foi tratar seu acústico como música ambiente. “O local não era apropriado para uma apresentação daquela natureza… Neguinho ouve falar que a gente toca sentadinho de violão que é um show ‘calminho’ e pensa que pode disponibilizar pouca potência. Esse show requer mais sofisticação e mais tecnologia e, finalmente, um ambiente mais focado na performance e jamais algo como ‘som ambiente’”, destacou o músico.
Mas para sua apresentação no Abril Pro Rock, Lobão preparou a antítese do seu último show recifense – “Será uma performance infernal, pesada… muito pesada”, adiantou. O cantor também tem uma lista de shows que pretende conferir durante o festival: “No meu dia está cheio de bandas que eu quero ver com os Autoramas, o Pata de Elefante… Se puder, gostaria de rever o New York Dolls. Assisti a um show deles em Nova Iorque em 1974 e foi algo completamente despirocado!”
Se Lobão fosse um sujeito fácil de ser comprado, compreendido, perdoado até, talvez tivesse nascido com o dom de cantar… boleros. Mas o cara que surgiu no cenário nacional com o Vímana, nos anos 70, que deu um passo à frente como sócio-fundador da Blitz nos 80, que se consolidou como ídolo popular na carreira solo (aqui incluída a parceria com Os Ronaldos), que vivenciou a decadência sem elegância do pop rock nacional dos 90, que às vésperas dos anos 00 se insurgiu contra a indústria e abriu seu bocão pra reclamar, e que agora deu uma trégua porque recebeu um tratamento que julga digno de seu merecimento (e sempre foi a dignidade artística o mote de sua cantilena contra as gravadoras) é encrenqueiro, polêmico e falastrão porque é exatamente isso que se espera do que ele se propõe a fazer: rock, esse estilo em que incomodar é mérito e ser bonzinho demais cheira a picaretagem.
Não é à toa que, à beira dos 50 anos (que vai completar em outubro), o Lobão deste Acústico MTV, projeto notadamente avesso aos ruídos, continua provocando tamanho barulho. É evidente que a aura “do artista que se rendeu novamente ao sistema” é parte intrínseca do processo analítico da obra, a causadora natural da controvérsia prévia, mas quando a música entra em cena traz com ela todas as respostas (e justificativas) necessárias.
Luzes acesas, músicos a postos, tudo o que parecia vício ganha ares de virtude. No palco, no centro das discussões artísticas como deve ser, Lobão é pura urgência e tensão, é a contramão da contradição, é um poeta que se exercita praticando a arte da sutileza das palavras duras e da dureza das palavras sutis: “eu sou a explosão, o exu, o anjo, o rei / o samba-sem-canção / o soberano / de toda a alegria que exista”, destila na apocalítica “El Desdichado II”, tema de abertura do show que tem um bocado de clássicos no set mas não se resume às confirmadas. A fase independente de Lobão (composta por três álbuns de estúdio) rendeu grandes momentos que, finalmente, estão vindo à tona. E até a fase adolescente está representada, com a gravação de “O Mistério”, do Vímana (composta por Lobão, Lulu Santos e Ritchie, emoldurada pela beleza do som de um órgão hammond e do quinteto de cordas convidado para o disco).
As molduras são um ingrediente básico do cenário dadaísta que Zé Carratu preparou para o show registrado em dezembro do ano passado no Novos Estúdios (São Paulo). Já Lobão, esse definitivamente não se enquadra em padrões estéticos banais. Por isso, nada mais certo que ter como o produtor dessa empreitada Carlos Eduardo Miranda, que emprestou sua crença no alt rock, no new folk, no velho rock do Faces e na face vanguardista de Matthew Herbert para embalar as versões acústicas.
O casamento deu tão certo quanto a escolha dos músicos que formam a banda de apoio: Edu Bologna e Luce nos violões, Daniel no baixo, Roberto Pollo nos teclados, Pedro Garcia na bateria e Stephane San Juan, na percussão. Muito concentrados, eles concederam a Lobão o que ele mais precisava para encarar o desafio e a responsabilidade de voltar à indústria que tanto detonou com um trabalho digno de seu talento: segurança. Depois de ralar ensaiando, a banda conquistou um espírito de jam session evidente. A resposta ao bom clima propiciado pelos músicos está evidenciada no vocal de Lobão, que soltou a voz como nunca e coube como poucos no formato acústico.
Apesar de acústico, Lobão entra em cena enfiando o pé na porta, sem cerimônias, com “El Desdichado II”, “Essa Noite Não”, “Décadence Avec Élégance” e a deliciosa e nostálgica “Bambino” (do tempo dos Ronaldos, em magnífica interpretação). A partir da quinta faixa, “Revanche”, o clima intimista invade o salão, na romântica “Vou te Levar” e na grandiloqüente “Quente”, ambas com o apoio de um quinteto de cordas que criou uma tensão espetacular e uma atmosfera transcendental no ambiente –e que, de leve, remetem ao maravilhoso som de Unledded, de Jimmy Page e Robert Plant.
Depois de respirar um ar mais erudito, vem o momento de inspiração alt country com “Por Tudo que For” e “Chorando no Campo” (com direito a show de precisão no banjo de Edu Bologna), a circense “Que Língua Falo Eu” (de O Inferno é Fogo, de 2001), os eternos clássicos “Noite e Dia” e “Me Chama”, o hit em potencial “Você e a Noite Escura” (uma pérola do álbum de 2005 Canções Dentro da Noite Escura, com um ar psicodélico); novamente com o reforço do quinteto, “A Queda” (na qual se destaca a qualidade da percussão discreta de San Juan), “A Vida é Doce” (com um arranjo lindo), “Pra Onde Você Vai” e “O Mistério” compõem o ciclo mais contemplativo e viajandão do disco.
O grand finale convida para a dança de saloon, a partir da versão violão para “Canos Silenciosos” (na qual a banda está tão à vontade que parece estar tocando na sala de casa), as deliciosas releituras para “Rádio Blá” e “Corações Psicodélicos” e uma canção arrebatadora de amor interpretada ao lado de três integrantes da banda convidada Cachorro Grande. Roqueiros de carteirinha fazendo baladas? É a cara de Lobão, na contramão da contradição (a Cachorro Grande, aliás, é uma das estrelas das cenas extras do mais novo DVD acústico da MTV, que inclui ensaios, o processo criativo e detalhes técnicos de cenário e iluminação, além de erros na gravação e o falante Lobão explicando detalhes da obra integram os extras e o making of).
Lobão pode não ser um cara fácil, mas difícil mesmo é pensar em rock brasileiro sem Lobão.
Marcelo Ferla
Escute: Essa Noite Não
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