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Céu procura driblar os rótulos ao redor
Publicado em 05.04.2008
A cantora paulistana, considerada uma das apostas da MPB, faz seu primeiro show “de fato” no Recife no segundo dia do festival. Grávida de seis meses, já arquiteta o seu novo CD
Schneider Carpeggiani
A paulistana Maria do Céu Whitaker Poças, a Céu, é ilhada por rótulos. É representante da “nova e moderna MPB”, como brada certa rádio que engarrafa sua programação com um repertório de duas décadas atrás. O seu nome também rendeu trocadilhos infames na imprensa. Veja só alguns: “novidades no horizonte da música brasileira”, “uma nova estrela no nosso firmamento”… É também comum associar a artista ao time de novas cantoras que brincam com o samba como se ele fosse um Lego colorido – Roberta Sá, as Marianas Baltar e Aydar… Ela, como era de se esperar, não se sente nada confortável diante desses rótulos todos.
“Um jornalista chegou me perguntando se eu percebo um movimento de novas cantoras na MPB. Eu não acredito em movimento, porque não há nada pensado, não existe manifesto”, explicou Céu, com voz mansa, em conversa com o JC por telefone. “O que existe é uma geração muito bacana. Mas é engraçado como as coisas acontecem. Há momentos em que aparecem grandes intérpretes, outros de mulheres que escrevem suas músicas. É o meu caso, da Cibelle, da Vanessa da Mata”, continuou.
Céu é uma das atrações do segundo dia do Abril pro Rock. Recife assiste à turnê do elogiado disco de estréia da cantora na sua reta final. “Fico na estrada até junho”, lembrou Céu, que está grávida de seis meses do seu primeiro filho – “Estou viajando menos agora, por causa do bebê. Mas eu precisava levar esse show para o Recife, para a Paraíba”.
Esta será a segunda vez que Céu se apresenta no Recife. Na verdade, o show do Abril irá acabar contando como sua estréia “de fato”. Há dois anos, no auge do hype em torno do seu nome, ela fez uma participação no show da Nação Zumbi do Palco Pernambuco, no melhor esquema “onde está Wally?”. Céu, toda encolhida, fez backing vocal em uma canção e teve gente que nem notou sua presença no palco gigantesco do Chevrolet Hall.
“Houve um problema de divulgação em relação àquele show. De fato, muita gente achou que seria um show meu”, lembra a cantora, disposta a corrigir sua ausência desta vez. O show do Abril é basicamente o repertório do seu CD de estréia - uma mistura da iconoclasta MPB com sotaque soul e alguns beats eletrônicos. “Eu não entendo quando algumas pessoas começaram a dizer que eu tenho influência de música eletrônica, o que eu uso são algumas texturas da máquina. Para mim, música eletrônica só remete a tecno e house music. Eu quero ser cada vez mais uma cantora orgânica”, revelou Céu, ainda nos seus 20 e poucos anos e fã de samba, maxixe, ciranda. “Gosto de coisas antigas, de revirar o baú”, completou.
A cantora vive um momento de transição. Enquanto termina a turnê do primeiro disco (do distante ano de 2005), já começa a pensar no sucessor. “Ainda não posso dizer como vai ser o disco, porque o seu projeto está num processo bem embrião ainda. Só tenho algumas idéias soltas, nada amarrado. Antes de me dedicar a ele, preciso ter meu filho, cuidar dele. Vai ser um caminho longo”.
fonte: http://jc.uol.com.br/jornal/